quarta-feira, 19 de maio de 2010

dias gris
tardes sem cor
as flores no chão
colorem a desbotada
vida do passante.

...nunca serei este amor
apagado de ontem,
mas nunca serei,
ser este amor
é destruidoramente importante,
tristemente vazio

das não lembranças
e de todas esperanças,
ser este amor
hoje é uma dor,
não fui eu
não serei eu nem meu...
ficou no passado
teu passado
e me dói...
cortante até hoje.

enquanto a chuva cai
o céu molha o mundo,
afoga a dor lava e limpa
o sentimento azul profundo
intenso de amor ...
sózinho.

terça-feira, 18 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

tenho em mim carinho força
sensualidade e vontade,
desperta com teu cheiro
calor sorriso afeto,
poe na boca palavras
em desuso
sons que não eram ouvidos
gestos que nem existiam.


a ansiedade do querer
cada vez mais forte,
ter estar ficar ser.
uma pessoa como eu
uma pessoa como vc
um no ar
outro no mar.


urgente!!
precisamos de lemes
cartas de navegação
bússolas e mapas
corremos o risco de sermos
felizes...

terça-feira, 11 de maio de 2010

"Tive vontade de sentar na calçada
da rua Augusta e chorar,
mas preferi entrar numa livraria,
comprar um caderno lindo e anotar sonhos"
Caio Fernando Abreu

sábado, 8 de maio de 2010

a bela com asas nos pés
não sabia que aquele
semideus também
se encantava com
sereias
louras e morenas
bem ao sul
da américa do sul,
em oferendas o homem deus
jogava cestas cheias de poesias
dizendo estar ele numa teia,
de areias?
no céu um sorriso
a meia lua
luareia o amor
que ela sonha...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A SERRA DO ROLA MOÇA
Mário de Andrade



A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não...

Eles eram do outro lado,
Vieram na vila casar.
E atravessaram a serra,
O noivo com a noiva dele
Cada qual no seu cavalo.

Antes que chegasse a noite
Se lembraram de voltar.
Disseram adeus pra todos
E se puserem de novo
Pelos atalhos da serra
Cada qual no seu cavalo.

Os dois estavam felizes,
Na altura tudo era paz.
Pelos caminhos estreitos
Ele na frente, ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.

A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não.

As tribos rubras da tarde
Rapidamente fugiam
E apressadas se escondiam
Lá embaixo nos socavões,
Temendo a noite que vinha.

Porém os dois continuavam
Cada qual no seu cavalo,
E riam. Como eles riam!
E os risos também casavam
Com as risadas dos cascalhos,
Que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam,
Buscando o despenhadeiro.

Ali, Fortuna inviolável!
O casco pisara em falso.
Dão noiva e cavalo um salto
Precipitados no abismo.
Nem o baque se escutou.
Faz um silêncio de morte,
Na altura tudo era paz ...
Chicoteado o seu cavalo,
No vão do despenhadeiro
O noivo se despenhou.

E a Serra do Rola-Moça
Rola-Moça se chamou.




Templo Impuro...

as mulheres saem do salto
buscam no asfalto
o cetim áspero da vida
para dizer todo dia,
que barato e que foda
é ser Mulher!

libélula


o vento insano
ora sopra para o norte
ora para o sul,
não sabe que os
meninos
contam com ele para
fazer subir seus sonhos...