sábado, 5 de junho de 2010

teu perfil me olha
de solaio,
medo
do teu olho
encontrar o meu...
perder o rumo
me perdendo sem razão.

Invejo aquele que não lê/não sabe nada/
não se preocupa com a crise existencial
no meio das frases/
a palavra mal dita/
ou/
a elegancia da escrita.
Morro de inveja dos abusados
de ignorancia/
os mal letrados/
os vazios de informação.
A palavra aproxima tanto
que afasta...

O Anjo fugiu do céu.
Louco!
Cansou do belo do amor da ternura.
Louco!
Despencou no desvario.
Louco!
Se engasgou com a luxúria,
despertou a cobiça
abriu as portas da
casa maldita.
Entrou.
Ficou.
Gozou!
Queimou as asas.

terça-feira, 1 de junho de 2010

acabo de ler um poema banal
bem igual
sem rima sem pontos,
tinha no início uma vontade
no final
uma indagação,
acabou sem começar.
As luas de maio

Destelharam a paixão

Suas folhas foram jogadas

Espalhadas pelo chão

Viraram trilhos as ruas

O vento freou a impulsão

As árvores ficaram nuas

Caminho sem tua mão

Sozinho

Na avenida Solidão


MQ

quarta-feira, 26 de maio de 2010

tenho te lido,
deitado em tuas palavras
dormitado nos sentidos todos,
descoberto abertos acasos
me deixa encobrir a mim
nos teus versos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Quando Ele se apaixonou
pela jovem filha do taberneiro,
houve um alvoroço surdo nas alcovas.



Farfalhar de saias sedas e rendas,
motivos de espelhos quebrados
vidros de perfumes espatifados...



Quando a jovem demonstrou seu amor
por Ele
só suspiros e ais,
muitas viúvas a chorar e lamentar,
os presentes e mimos todos guardados.



Ele tinha um amor,
de olhos novos para um cansado andar
boca florida de beijos
pele macia cheia de desejos desconhecidos.



Não foi por acaso que a rua
amanheceu cheia de fel
e a casa inteirinha cheirando a mel.

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia,
meu endereço.
O amor comeu meus cartões de visita.
O amor veio e comeu todos os papéis
onde eu escrevera
meu nome.


João Cabral de Melo Neto

sábado, 22 de maio de 2010

Minhas madrugadas debutam sonhos
nos salões das putas, dos inválidos de alma
dos aleijões do amor.


Aragem fria da ilusão
preenche os cais dos desvalidos
desesperados e loucos.


Silencios curtos
entre os gemidos suspiros e gritos.
Manto indelével
cobre corpos copos e bocas.


E meus passos...
ecoam na alameda vazia
repleta dos meus anseios.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

quando os dedos frios
sentiram
as lágrimas quentes,
tomaram vida,
escreveram escreveram
podaram poliram apagaram
riscaram borraram,
rascunharam as páginas
com a história
malfeita desfeita
estreita e feia
daquele amor
torto.


saiu pela porta
correu na rua
ardeu de febre,
encostou no muro
doeu de paixão,
desmanchou se toda
sem lágrimas,
pisou na imagem
cuspiu na sombra
e seguiu...