domingo, 17 de outubro de 2010

Coreografia de pele
soltas num bailado
que voa e voa,
desencadeia o brilho
no olho,
os braços abertos
em frente a ventania,
dança
cabelos vontades
marcação dos passos
no palco do corpo.
sexo,
espetáculo fechado
só para convidados.

meu
carretel inteiro
desenrrolado
meus fios trançados
tramados com os teus,
cabelos formando
bainhas,
pelos fazendo
bordados,
gotas
traçando juntando
colando voce a mim.

sábado, 16 de outubro de 2010

a poesia
esta fagulha,
não salva
ou dá seguro,
não queima
nem refresca,
liberta
e, mais não pode
não precisa,
é poesia.
amei amei amei
apaixonadamente
amei,
desabotoei meu vestido
soltei os cabelos
descalça ... amei
Tornei a calçar
os dias
vesti os anoiteceres
cortei os cabelos
e sigo
por outra via
amei amei amei.
Saí de mim para te amar
volto por outro caminho
para não te encontrar
em mim.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

as vezes tenho tristezas tão insuperáveis
tão impenetráveis
tão janelas sem transparencias
que me assusto por completo,
as vezes é quase sempre
as vezes é uma eternidade,
uma folga no sonho
e a bruta realidade, irrompe
entra e fica
faz sombras.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Testamento

Meus pertences
tarecos e troços tão poucos,
Minha mobília
cabe no bolso de trás,
Meus sonhos
diáfanos , gigantes
evolam sem peso,
Minha pessoa miúda
até o cabelo
é pouquinho,
grande é o brilho
no olho
Frondoso o amor,
Sonhadora a menina
Sensual a mulher,
declaro estar lúcida
e nada sã,
por isso nada deixo
de herança.
Talvez uma poesia
esquecida,
ate mesmo a alegria
o sorriso maroto
roubei de mim mesma
e ,
levo junto.
Sinto muito.

domingo, 26 de setembro de 2010

eu,
minha
poesia coloquial,
arruma a cama
abre a janela
toma café
pensa nos beijinhos
que vou te dar
toma banho
sonha com teus braços
fortes,
sai para rua
sorri para crianças
cachorros e velhinhos,
de vestidinho e chinelinho
cabelo curtinho
pra sentir o vento na nuca
rima flor com buraco na calçada
anda rápido
sente o roçar das coxas
tem vontade de poetar
primavera em voce
coloquial,
bem natural...


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

e disse ...vai!
ela saiu, não precisava de outras flores
foi por acreditar,
dentro alguma coisa avisava
acabando...
o inverno passou
e a primavera não admite sombras,
o infinito durou instantes
a eternidade acabou
quando terminou o sonho.
Estranhamente calma
assustadoramente lúcida
abriu os olhos
viu seu olhar
a boca descrevendo
o amor intenso
pela outra
apavorantemente claro
tristemente real
ele é só um homem
algemado
numa realidade sem poesia.