quarta-feira, 15 de abril de 2015

A lua nadando
no último gole de chá,
no fundo da xícara,
me mostra o finito
da noite, do mundo,
bem quando bebo a poesia.


terça-feira, 14 de abril de 2015

É um desatino
ouvir música tão linda,
pernas e braços, querendo 
bailar, abraçar rodopiar,
a nuca arrepiar a boca namorar,
os pés não precisam pisar
os passos são asas leves,
suavemente os olhos
se encontram 
e dançam.


                                     fotógrafo francês Ludovic Florent - Poussières d’étoiles (poeira de estrelas)

quarta-feira, 1 de abril de 2015



O silencio do balanço do verde, 
preparando o outono,
os piores segredos bem guardados no porão 
no coração, na canção.
Toda coragem armazenada nos olhos,
fazer parte da vida sem escolher
o que virá.
Sem certezas, só andando, sem medir
as distancias.
Virar as esquinas prendendo o fôlego,
desarmada enfrentando os medos
coragem para se auto conhecer,
sem bulas ou guias.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Me ausento, saio a passeio 
sem carregar nenhum peso,
deixo os pesares os sonhares e as senhas,
menina dos olhos, vai sem sapato, sem meias.
Pela mão do vento descobrir alentos
motivos risonhos de existir na poesia.

terça-feira, 24 de março de 2015

domingo, 22 de março de 2015

Como é difícil, como é difícil, Beatriz, escrever uma carta...
Antes escrever os Lusíadas!
Com uma carta pode acontecer
Que qualquer mentira venha a ser verdade...
Olha! O melhor é te descrever, simplesmente,
A paisagem,
Descrever sem nenhuma imagem, nenhuma...
Cada coisa é ela própria a sua maravilhosa imagem!
Agora mesmo parou de chover.
Não passa ninguém. Apenas
Um gato
Atravessa a rua
Como nos tempos quase imemoriais
Do cinema silencioso...
Sabes, Beatriz? Eu vou morrer!
(Mário Quintana)

sexta-feira, 20 de março de 2015


 
Sou um enigma com vagina
sobre uma cabeça confusa,
fosse dois séculos atrás
estaria amarrada, de branco,
trancafiada com os sem nome.


 No peito uma dor que arde
quero o mundo que sonho,
com ventos melancólicos
paisagem com névoa,
nenhuma pergunta.


 Caminho em sentido oposto
ouço o que não vejo
desejo o que não existe,
me procuro.
Insisto e se resisto, é na poesia.
 

quarta-feira, 18 de março de 2015


Fechou a gaveta com força, bateu a porta, derrubou a cadeira.
Pessoas agitadas, são piores que tormenta no meio da tarde de sol. São inquietas, perturbam, não ouvem pensamentos, até os passos fazem ruído alto. 
 
Desconhecem  o silencio precioso dos momentos de paz, temem a falta das vozes, em eterno blá blá blá.
São tremores de terra perto de quem gosta de ler ou escrever. 
Tanto mais barulho fazem, menos se percebem. 
Gostaria de escrever como uma torneira pingando,sem parar, barulho chato q tira o sujeito do ar.
Desenvolveria  um texto cadenciado com barulhos de se ler, pediria para ler em voz alta e pausada, (melhor não) desisto, eu seria castigada, tumulto sonoro.
 
Vontade de presentear estas criaturas, com uma válvula tipo de panela de pressão , quando estiverem muito agitadas, só abrir a saída de vapor, despressurizar a energia . São incapazes de conviver com todos que tem o prazer de sentirem um tipo de mormaço natural, dos sem ataques de histeria seja pelo que for.
 
Pessoas barulhentas são como portas batendo em dias de ventania, ninguém sabe bem qual é a que precisa fechar, ecoam no fundo do pensar, acabam com inspirações. Até mesmo quietas, fazem ruídos, chiados,alta carga elétrica zumbindo.
 
Por isso gosto do vento, me sopra verdades sem nenhuma preocupação de realmente ser ouvido. 


domingo, 15 de março de 2015


Levando a vida 
como uma música da Nana Caymmi,
beijos nos muros 
e amando mais do que o amor é capaz.