domingo, 23 de abril de 2017

Nunca fui tão linda, nem tão boa, nem tão eu. 

Mais facilmente me balanço na teia da aranha,
vejo flores de outras cores.
Passarinhos patinadores cachorros cantores.
Nunca fui tanto.

Caracóis com espanto e grilos com cara de doutores.
Cada passo tem outro sentido e o sentimento
não tem hora nem momento, é todo tempo.

A lua está mais fofa e cada estrela é um brinquedo.
Nunca escrevi tamanho amor.

Nasci para ser avó mesmo, desde pequena, hoje eu sei.

Vovó de novelo escrito, fios de luz para segurar poesia,
cadeira de balanço ta faltando, mas já tem história nunca escrita,
dedo na boca e olho no olho, 
tem joaninha de bolinha e entendimento que nem veio ainda.
Agora sou gigante.


domingo, 5 de junho de 2016

06/06

Pois nasci. 
Se foi por Graça, destino ou escolha, não sei.
Na palma da minha mão tem estranhas rotas,
sou feita dos experimentos elementares do mundo.
Ser feliz a maior parte do tempo
não é invenção,vivo intensamente.
Sou assim,vim assim.



terça-feira, 5 de abril de 2016

A poesia que tocava ontem
desfolhou todinha hoje,
antes de amarelar as folhas
antecipou a estação,
quando acabou o abraço.

 Colada no álbum, esvaneceu,
saiu janela afora
virou pensamento do vento,
cavalgando borboletas
fazendo tonalidades no esquecimento.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016



Vai caindo a tarde e a música é a mesma, de outro entardecer, como se o céu fosse um espelho dos dias aqui embaixo. 

São reflexos vadios, que voltam com as lembranças. 

Aquele olhar distante, aqueles planos, aquele sonho da fotografia,
quando minha mão e a tua faziam sombras alegres na calçada.

Nosso horário de passeio, acompanhar as luzes até a noite chegar, 
registrando as silhuetas,
os ciclistas, os encontros.

Quando tempo escrevemos nossa história, sob os jacarandás, acreditando que o destino nos pertencia.

Não precisou despedida, nossa flor não perfumava mais, quando a primeira estrela apareceu.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Primaveras

Quero uma primavera suave pra que possa ter tempo de ouvir pássaros, de colher amoras, caminhar com jazz no pensamento, tropeçar nas flores, sorrir de lembranças, não abrir o jornal, sonhar que o mundo é um jardim, correr atrás de borboletas, escrever mais que falar, sentar nos bancos de praça e ler Quintana com a brisa nos cabelos, esquecer livros para serem levados, não engolir a raiva dos dias, observar nuvens para amaciar o olhar, viver como as notas da ciranda; um giro de cada vez.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Nunca fui tão linda, nem tão boa, nem tão eu.  Mais facilmente me balanço na teia da aranha, vejo flores de outras cores. Passarin...