segunda-feira, 30 de março de 2015

Me ausento, saio a passeio 
sem carregar nenhum peso,
deixo os pesares os sonhares e as senhas,
menina dos olhos, vai sem sapato, sem meias.
Pela mão do vento descobrir alentos
motivos risonhos de existir na poesia.

terça-feira, 24 de março de 2015

domingo, 22 de março de 2015

Como é difícil, como é difícil, Beatriz, escrever uma carta...
Antes escrever os Lusíadas!
Com uma carta pode acontecer
Que qualquer mentira venha a ser verdade...
Olha! O melhor é te descrever, simplesmente,
A paisagem,
Descrever sem nenhuma imagem, nenhuma...
Cada coisa é ela própria a sua maravilhosa imagem!
Agora mesmo parou de chover.
Não passa ninguém. Apenas
Um gato
Atravessa a rua
Como nos tempos quase imemoriais
Do cinema silencioso...
Sabes, Beatriz? Eu vou morrer!
(Mário Quintana)

sexta-feira, 20 de março de 2015


 
Sou um enigma com vagina
sobre uma cabeça confusa,
fosse dois séculos atrás
estaria amarrada, de branco,
trancafiada com os sem nome.


 No peito uma dor que arde
quero o mundo que sonho,
com ventos melancólicos
paisagem com névoa,
nenhuma pergunta.


 Caminho em sentido oposto
ouço o que não vejo
desejo o que não existe,
me procuro.
Insisto e se resisto, é na poesia.
 

quarta-feira, 18 de março de 2015


Fechou a gaveta com força, bateu a porta, derrubou a cadeira.
Pessoas agitadas, são piores que tormenta no meio da tarde de sol. São inquietas, perturbam, não ouvem pensamentos, até os passos fazem ruído alto. 
 
Desconhecem  o silencio precioso dos momentos de paz, temem a falta das vozes, em eterno blá blá blá.
São tremores de terra perto de quem gosta de ler ou escrever. 
Tanto mais barulho fazem, menos se percebem. 
Gostaria de escrever como uma torneira pingando,sem parar, barulho chato q tira o sujeito do ar.
Desenvolveria  um texto cadenciado com barulhos de se ler, pediria para ler em voz alta e pausada, (melhor não) desisto, eu seria castigada, tumulto sonoro.
 
Vontade de presentear estas criaturas, com uma válvula tipo de panela de pressão , quando estiverem muito agitadas, só abrir a saída de vapor, despressurizar a energia . São incapazes de conviver com todos que tem o prazer de sentirem um tipo de mormaço natural, dos sem ataques de histeria seja pelo que for.
 
Pessoas barulhentas são como portas batendo em dias de ventania, ninguém sabe bem qual é a que precisa fechar, ecoam no fundo do pensar, acabam com inspirações. Até mesmo quietas, fazem ruídos, chiados,alta carga elétrica zumbindo.
 
Por isso gosto do vento, me sopra verdades sem nenhuma preocupação de realmente ser ouvido. 


domingo, 15 de março de 2015


Levando a vida 
como uma música da Nana Caymmi,
beijos nos muros 
e amando mais do que o amor é capaz.


sábado, 14 de março de 2015

Lendo jornal antigo
palavras inteiras,
sonhos comuns.

Café sobre a mesa
sapato no corredor,
flor na janela.

O céu chovia com calma,
versos vinham em cartas
e a poesia não fazia barulho.


quarta-feira, 11 de março de 2015

Mais que um aperto no peito
estranheza desta saudade,
nenhum motivo lembrou teu passo
nos caminhos do entardecer.

Fosse tu homem inteiro
acreditaria eu, em cada instante
morreria pelos teus  beijos,
amaria teu canto de travesseiro.

Ensaiaria tantos rodeios
quantos volteios do meu bailado,
tua mão sempre na minha,
dizendo, tu és minha.

Pedra falsa, diamante de vidro
teu gorjeio é feio, 
teu anseio eram tantos
seios, coxas, bocas, gozo alheio.


Nunca fui tão linda, nem tão boa, nem tão eu.  Mais facilmente me balanço na teia da aranha, vejo flores de outras cores. Passarin...