quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sem Asas Com Asco

O profeta, maldito poeta das amargas ilusões, vive as  eternas negras noites, sem paz. 

Carrega  as memórias escurecidas, cinzentas das volúpias  pegajosas.


Escreve obstinadamente, sobre as folhas arrancadas do passado, é uma vítima do terço rezado, escravo dos próprios pecados.

Sobre imagens borradas,  carrega os olhares libidinosos de  fantasmas que há muito se libertaram.

Preso hoje dentro da própria armadilha, tece longos fios, tramas de uma vida que não existiu.

No mural das amaldiçoadas palavras, conta histórias de um louco, que precisa das fantasias.

É rei, senhor e adorado,pesadelo pegajoso. Belas  donzelas e damas, vadias e raparigas, misturadas no mesmo caldeirão perverso.

Penoso arrastar de correntes, é um monstro que não enxerga seu reflexo, vive das miríades de instantes, fugazes e loucos, da alucinógena paixão.

Cada foto roubada, alterada, manipulada, imagina ter raptado o instante, das furtivas alegrias.

Fingidas  realidades, do mais improvável romance, entre um morcego e algumas borboletas.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Teorias de Areia IV

Passarinhos  espantados e algazarra de crianças, um homem serrando madeira, manhãzinha.
Abro a janela e meu vizinho temporário, esta em cima da árvore, que faz divisa com nosso quintal. Sinto felicidade e paz, o barulho do serrote e das marteladas nao me incomodam. O homem responde sereno à menina; porque não se pode amarrar um cavalo marinho no jardim. 
A choradeira mostra que ficou inconsolável. Ele volta a serrar, não a árvore, como pensei, esta ocupado com uma pilha de tábuas .
Ouço, mais do vejo, por trás do pé de manga, avó, tias e amigos sugerindo uma arquitetura moderna para a casa  na árvore. ( oba! uma casa na árvore)
O homem, parece engenheiro de palácios, segue tranquilo em meio ao falante conselho familiar. 
Deve ser pai de uma das criança, quase todas chamam ele de tio, neste instante me sinto a bisbilhoteira da rua, do quarteirão  da praia toda. Morro  de curiosidade, gosto de especular a vida alheia, ares de praia talvez, sinto que meus pensamentos sem regra, andam de shortinho.
Ainda nao fui até lá conversar com ele, saber seu nome, quem sabe amanhã, me interessa conhecer os aposentos da casa.
Ele conversa enquanto trabalha, fala sozinho, enquanto isso escrevo e decifro nuvens.
Gosto de saber  que estou vizinha de um raro adulto, que acredita nos sonhos da meninada, que dá gargalhadas das histórias dos pequenos, cada um conta uma história diferente, embalam o trabalho com interesse inocente.
Ouço o carro de som com a mesma música de vinte anos atrás, as pessoas gostam de um tantinho de tradição,nem que seja a musiquinha vendendo sorvete.  
E a vida segue .



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Teorias de Areia III

A guria tem sinais de frustração. 
Inquieta, prende e solta o cabelo, experimenta um chapéu, indaga o espelho espia o celular, busca uma resposta ou um culpado. 
Ninguém ousa perguntar porque acordou cedo, foi ao mar e voltou sozinha, quando disse na noite anterior que ele viria. 
Ele é a melhor definição , ninguém sabe se é namorado amigo ou amigo namorado. Mal tem um nome, o rolo dura dois anos, mas pelas modernas convenções familiares, ninguém entende e todos fingem ser normal.
É bonita, independente, voluntariosa e tem um gato de raça . Nestas horas em que me dedico a pensar sobre pessoas, penso nas feministas, nas altruístas, nas amorosas. O ser feminino tem na sua essência uma semelhança universal, nem vou tentar descobrir qual  seria, são tantos e tão indeléveis que não chego a conclusão alguma.
Saltos e batons ou, brincos e colares coléricos, todos tem afinidades, não importa idade ou classe social.
Aguardo o desfecho do encontro desencontro, enquanto ouço o Bem Te Ví, cantando no pé de Pitanga.

A Rosa da Alma-Litografia de Guilherme de Faria- 1984 

sábado, 17 de janeiro de 2015

Ele lê a poesia e não entende nada,
prefere as notícias do esporte,
onde o etéreo esta no valor 
dos passes ou dos pontos.
Estranhamente 
se envergonha da emoção
do verso, das pausas, onde 
o poeta coloca toda intenção.
Aplaude quase por obrigação,
mas preferia que ninguém soubesse,
que tem uma lágrima presa no peito.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Teorias de Areia II

Quando as vozes de crianças vão embora, sobram os chatos pensamentos de adultos. Voltam as rugas e as bobas preocupações com dores nas articulações, a comida saudável, a caminhada obrigatória, mesmo quando se tem vontade de só balançar na rede. Os sisudos e responsáveis minutos de vida, dos que esqueceram suas  crianças interiores.
Nenhum quebra quebra, nem puxões de cabelo, nenhum grito de mãe!  
Pra que serve um cabo de vassoura se não tem ninguém pra cavalgar? As conchas guardadas, empoeiradas de tantos mares passados, de que servem se não podem ser tocadas, ou quebradas? As cortinas que serviram de cipó, voltam a inércia sem graça nenhuma, nem os babados que gostavam do desespero do cai não cai, quietamente parados.
A casa  esta quieta e as camas feitas, nenhum brinquedo pelo chão. 
Estrondo! Uma janela bate faceira, é o vento tentando despertar os barulhos, as risadas,  as princesas. Entra alvoroçado, querendo provar o famoso doce, feito de bolacha do mar, como pensavam os pequenos.
O verão é uma criança , lambuzada de areia, espuma e inocência.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Rosa tem sido o tom do entardecer, 
rosa pink sobre fundo azul bebê,
tiro o óculos de sol, pra olhar melhor,
não encontro palavra alguma
que traduza este céu,
suavidade
neste  verão inclemente, 
parece sorvete de morango,
derretendo na toalha, pintando
a mesa o pé o mundo.

Praia de Atlântida Sul -Rs

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Teorias de Areia

Teorias de Areia I

 Na praia , com chuva.  Depois de ouvir (+ ou -) 248 músicas do Raul,  umas 2 horas de Beatles, mais outras tantas do Oasis, Guns N' Roses e descobrir que  uma infinidade de nomes e barulhos absolutamente desconhecidos existem, decido  escrever.  
Acaba  a playlist e fico sem saber se é momento de agradecer pela adolescência ser só uma fase da vida, ou , se me espanto com o silencio repentino que cai sobre a casa.
Também faço pesquisas muito particulares, estes que berram no volume máximo,  não tomam café nem banho nem fazem pausa pro lanche, inicio uma breve investigação.
Suspeito da pele dourada tatuada, com longos cabelos louros, balançando na rede da casa vizinha, muito interessante...
 Segue o rock , o progressivo e outras batidas sonoras, porque os sorrisos trocados são com certeza sinais.  Assim  como as mudanças de atitudes;  nada de fones de ouvido nem jogos no celular, a vista é mais bonita e o incentivo tem olhos claros e esmaltes vibrantes.
Desconfio  que vou aprimorar meu conhecimentos de rock e suas variações neste verão .



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015


no fim da linha
o risco
horizonte
arisco,
aparece 
some
no sobe desce
inconstante,
o fim é o começo.

Nunca fui tão linda, nem tão boa, nem tão eu.  Mais facilmente me balanço na teia da aranha, vejo flores de outras cores. Passarin...