quinta-feira, 26 de setembro de 2013

É primavera de novo,
desta vez não brotam flores
minhas mãos ainda encaixam
nos ramos dos teus cabelos.
Saudade tem a cor das violetas.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Tu És em Mim Profunda Primavera


O sabor da tua boca e a cor da tua pele,
pele, boca, fruta minha destes dias velozes,
diz-me, sempre estiveram contigo
por anos e viagens e por luas e sóis
e terra e pranto e chuva e alegria,
ou só agora, só agora
brotam das tuas raízes
como a água que à terra seca traz
germinações de mim desconhecidas
ou aos lábios do cântaro esquecido
na água chega o sabor da terra?

Não sei, não mo digas, tu não sabes.
Ninguém sabe estas coisas.
Mas, aproximando os meus sentidos todos
da luz da tua pele, desapareces,
fundes-te como o ácido
aroma dum fruto
e o calor dum caminho,
o cheiro do milho debulhado,
a madressilva da tarde pura,
os nomes da terra poeirenta,
o infinito perfume da pátria:
magnólia e matagal, sangue e farinha,
galope de cavalos,
a lua poeirenta das aldeias,
o pão recém-nascido:
ai, tudo o que há na tua pele volta à minha boca,
volta ao meu coração, volta ao meu corpo,
e volto a ser contigo a terra que tu és:
tu és em mim profunda primavera:
volto a saber em ti como germino.

Pablo Neruda

sábado, 21 de setembro de 2013

Poesias são palavras
indefinidas guardadas
na caixa dos sentires,
delicadas dobraduras,
antigas lembranças,
cobertas com papel de seda
cheirando alfazema.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Foi um desatino,
na tarde quente
derretia lentamente,
enquanto o sol,
lambia a curva dos pensamentos.
A noite é uma criança travessa,
escolhe estrelas quando sorri,
brinca de beijar astros,
no espaço indelevel da madrugada.
Bom é brincar no tempo,
deitar nos ponteiros,
seguir um pingo de chuva,
viver lentamente.
Como um beijo ensaiado.
Estas fronteiras de poros 
nada servem 
teu suor 
faz meu território
livre. 



Gostaria de não ser
tão assim
nem tão além,
seria bem
 ser só uma.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Tua poesia
é o cordel virado
misturado
 sapecado,
feito frevo
 maracatú,
 faz dançar, embolar,
vem rolar sem rimar.
e que todo amor seja tesão, não o tempo todo, mas o tempo de ser amor

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

(foto leila silveira cais do porto Porto Alegre)

A vida que encanta
 é aquela
que se descobre
 no minuto seguinte.

Nunca fui tão linda, nem tão boa, nem tão eu.  Mais facilmente me balanço na teia da aranha, vejo flores de outras cores. Passarin...