quarta-feira, 27 de março de 2013

Cortem-me as mãos
Para que eu não
Tenha nenhuma intenção poética,
Depois os cabelos,
Por último,
Calem meus sinos.
Respiro e me reviro
Ainda existe vida
Entre céu e terra
No meio, algozes.
Afrodites e quimeras
Cantam na melodia
Inexistente.
Balançam os horizontes
No olhar desiludido,
Expiro em porções pequenas,
Dando tempo
Para o poema, 
nascer da dor.
O azul intenso do céu
Contrastando com o rumor negro
Cheio de ironia
Do olho acusativo.
Vestes frescas levam pesados
Bordados,
Nasceu da ilusão
Curtido na desconfiança,
Chorou ao se olhar no espelho.
Alucinado, não estava presente,
Nada fazia diferença naquele cenário,
Montado para uma história
De amor.
Só pão com café e uma luva,
Sobre a mesa...



Entre a estética solitária da cidade,
Bailava.
Desenhava passos nas ruas,
Amanhecidas.
Insana despiu a alma,
Madrugou na pele, a ausência
Da poesia.
Querendo ser Pagú
Deitou no asfalto,
Jazz como grafite,
Colorida arte urbana.


Abstrato de Paul Klee





 Era tão tarde e fazia sol,
Claro como uma manhã nova
Depois da chuva.
Dos mesmos doces lábios
Saíam palavras amargas,
A mesma boca dos beijos
Cuspiam lavas.
Pobre amor que envelheceu
Na tentativa de acertar
Somente amar...

Nunca fui tão linda, nem tão boa, nem tão eu.  Mais facilmente me balanço na teia da aranha, vejo flores de outras cores. Passarin...