segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sentar no vento
sem contatempo
aguardar a florada.
Pentear as lembranças
escovar nuvens,
tem dias que são
 notas afinadas,
refinados momentos.

domingo, 28 de julho de 2013

foto de Gilberto Winter - Lua de Julho

estas fatias de lua 
fazem minhas noites
picadas.
O amor foi o que aconteceu de mais intenso,
eterno,
como sempre desejei.
Lindo terno mãos nas mãos,
mais do que a desconfiança e a dúvida
foi  amor o que prevaleceu.
Mesmo findo o amor é lindo.
Lembrar dos momentos em cada amanhecer
em cada suor em cada riso.
O som da respiração no silencio
da vida,  em noites frias,
o riso esparso e a alegria sincera.
O amor esteve presente,
ainda está ainda vive,
mesmo que longe.
Tudo vale a pena mesmo que doa,
todos os sentidos à postos dispostos
numa deliciosa aventura de se pertencer
encontrando no outro nossa metade de tudo.
As meias verdades fazem parte do amor inteiro.
Ainda amo e sonho.
Viver é delírio.


sábado, 27 de julho de 2013


Assim como veio, foi embora
pálida imagem de um poeta 
perdido nos seus infernos,
pesadelos entranhados na alma
cheia de cracas.
Abriu as portas e as janelas
levou as dores e as chagas,
deito sorrindo levanto 
agradecendo,
foi difícil segurar a vontade 
de não falar.
Tantos planos projetados,
menos a vontade de beijar
a boca lamacenta de verde asco.
Cheirando vidas amarguradas
aromas de desespero, vidas 
encordoadas, presas
dentro daqueles olhos de anzois.
Ainda canta de sereia no velho mar
faz poesia para iludir
foi-se ao mar
e morrerá. como viveu.

domingo, 21 de julho de 2013

Vai nascendo um blues molhado
da história mal acabada,
este amor afogado em mágoa,
alma em desalento,
 é um blues.
Vestido de noites, insônias e inspirações,
melodia e goles de poesia,
aveludado e cortado blues.
Solitário despido e louco,
vagando dentro e fora
desocupa espaço,  liberto
do laço  foge,
blues ao vento.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Quase ouço o que queres dizer, por isso não falo.


Objetos pontiagudos,
estilhaços de balas,
são cruéis.
Mas, foi a poesia perdida,
que derrubou o coração


Fui sendo eu,tão sendo que esqueci do disfarce,
 sem make up, na crueza e na pele,
aconteceu dos dias dissiparem as nuvens
mostrarem o sol.
Influenciada pelas pétalas quis ser flor
brotar em ramos e enlaçar,
abraçar o desengano florar de amor.
Devaneios, elocubradas cantorias
escamas poéticas da vida diária,
sem lapidar aprendeu a devorar,
autofagia na poesia a desculpa escorregadia.

Feriu a rosa, libertou a flor.

Destino, destino
este desatino invisível,
conduz com fios tramados
o caminho,
a chegada e a partida.
Destino, destino
a sina é sempre a mesma,
termina onde começou,
desata os nós,
mostrando amarras
desfiando o passado,
guiando a vida.


 Cais em Porto Alegre foto-Bernardo Martim Beck da Silva Etges