Teorias de Areia IV

Passarinhos  espantados e algazarra de crianças, um homem serrando madeira, manhãzinha.
Abro a janela e meu vizinho temporário, esta em cima da árvore, que faz divisa com nosso quintal. Sinto felicidade e paz, o barulho do serrote e das marteladas nao me incomodam. O homem responde sereno à menina; porque não se pode amarrar um cavalo marinho no jardim. 
A choradeira mostra que ficou inconsolável. Ele volta a serrar, não a árvore, como pensei, esta ocupado com uma pilha de tábuas .
Ouço, mais do vejo, por trás do pé de manga, avó, tias e amigos sugerindo uma arquitetura moderna para a casa  na árvore. ( oba! uma casa na árvore)
O homem, parece engenheiro de palácios, segue tranquilo em meio ao falante conselho familiar. 
Deve ser pai de uma das criança, quase todas chamam ele de tio, neste instante me sinto a bisbilhoteira da rua, do quarteirão  da praia toda. Morro  de curiosidade, gosto de especular a vida alheia, ares de praia talvez, sinto que meus pensamentos sem regra, andam de shortinho.
Ainda nao fui até lá conversar com ele, saber seu nome, quem sabe amanhã, me interessa conhecer os aposentos da casa.
Ele conversa enquanto trabalha, fala sozinho, enquanto isso escrevo e decifro nuvens.
Gosto de saber  que estou vizinha de um raro adulto, que acredita nos sonhos da meninada, que dá gargalhadas das histórias dos pequenos, cada um conta uma história diferente, embalam o trabalho com interesse inocente.
Ouço o carro de som com a mesma música de vinte anos atrás, as pessoas gostam de um tantinho de tradição,nem que seja a musiquinha vendendo sorvete.  
E a vida segue .



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